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Do unigênito ao primogênito

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Recebi uma ligação da minha esposa dizendo que já tinha chegado ao meu trabalho e estava na recepção me esperando, desci para encontrá-la animado com a possibilidade de ela estar grávida. Já estávamos com quase 8 anos de casado e com tantas mudanças que tivemos em nossa vida nos últimos anos o desejo de ter filhos foi sendo adiado. Finalmente entramos numa fase constante em que decidimos tentar engravidar, depois de atrasar a menstruação, a Ana já tinha feito 2 testes de farmácia e ambos tinham dado positivos, ainda que com a intensidade da linha muito fraca, então decidimos fazer o exame de sangue pra tirar a dúvida e poder comemorar com certeza a tão esperada notícia!

Quando eu desci pra encontrar a Ana na recepção do meu trabalho eu não tinha ideia de que ela já tinha visto o resultado pela Internet já que o resultado só iria ficar pronto no dia seguinte.
Quando passei pela porta e me despedi do porteiro ela veio toda emocionada e com um sorriso no rosto dizendo: Amor! Você vai ser papai! Sempre achei que essa noticia ia me emocionar, mas não sabia que seria tão forte, tive vontade de gargalhar e chorar ao mesmo tempo, perguntei umas 600 vezes se ela tinha certeza e com um sorriso bobo perguntava freneticamente os números, queria entender o que os valores do exame significavam, fiquei tão eufórico com a notícia que depois de uns minutos fui tentar sacar dinheiro de um caixa eletrônico e não conseguia fazer esta simples ação do dia a dia, minha cabeça estava em outro lugar,  eu “estava” era levando meu filho surfar, ensinando ele(a) tocar piano, contando histórias da bíblia, cozinhando, sei lá, a última coisa que eu estava concentrado era em como sacar dinheiro do caixa eletrônico.

Esse dia foi inesquecível, aí entramos naquela fase boa de contar pra família e pros amigos, ficar pensando em nomes, pra ele, ela ou eles!
Foram dias sensacionais, fiquei meio abobado e contei pra todo mundo que seria pai!
Confesso que sempre tive certo receio de engravidar, além do frio na barriga que naturalmente a noticia trás consigo, sempre ouvi milhões de histórias de pastores que engravidaram e das duas uma, ou tiveram várias complicações na gravidez e no parto, ou perderam o filho, e eu faço das palavras de Jó as minhas: o mal que eu temia me sobreveio.

Estava tudo caminhando maravilhosamente bem até que num sábado à tarde a Ana teve um sangramento, então decidimos ir ao hospital e depois de alguns exames tivemos que aguardar os resultados por uns dias, e então foi confirmado que perdemos o bebê e que a gravidez tinha sido interrompida, ficamos arrasados! Logo em seguida íamos a uma consulta, além de ter perdido o bebê, agora também tinha a preocupação com a saúde da Ana!

Para resumir a história, no fim das contas não foi preciso fazer curetagem (e como ficamos aliviados com isso!) a saúde física não foi afetada, não teve mais nenhuma complicação e também não teve nenhuma contraindicação de continuarmos tentando engravidar! Cremos que isso não é o fim da história e que ainda vamos ter a alegria de ter uma grande família com muitos filhos!

Impressionante a capacidade de amar um filho! Quer dizer, nem sabia o sexo, nem chegou a aparecer na ecografia, nunca chegou a nascer e nem tivemos a oportunidade de conversar, mas apesar disso eu já estava apaixonado por ele(a)! Nunca  imaginei que perder um filho antes dele nascer (ainda mais bem no início da gravidez) fosse gerar tanta emoção, óbvio que não seria fácil, mas pensei que pelo fato de ainda não ter nem nascido não seria tão difícil, pois não teria tempo de me apegar muito, definitivamente eu estava errado!

Ficou um aprendizado com isso tudo, que apesar das adversidades, Deus continua sendo bom e sua misericórdia dura para sempre! Nesse processo todo, muitas vezes me perguntei o porquê disso! Porque Deus que é o autor da vida deixou essa gestão começar e depois deixou ela ser interrompida? Aí tentava me consolar pensando que talvez  Ele nos deu um grande livramento de lá na frente ter um problema maior na gravidez, mas então também pensava que nesse caso seria mais fácil nem ter começado a gravidez, enfim…

No fim das contas abri mão de matutar a razão disso tudo e entendi que Deus é bom e sua misericórdia dura para sempre mesmo quando a situação parece nos tentar a crer no oposto, é aí que reconhecer a soberania de Deus deve entrar em ação, tem milhões de coisas tenebrosamente ruins que acontecem a cristãos, que acontecem com aqueles que amam Jesus, muitas vezes criamos uma ideia muito ingênua de que por andar com Deus somos imunes a problemas mais sérios, quando na verdade Jesus disse que nesse mundo teríamos aflições!

As maiores frustrações que temos com Deus são justamente resultado da nossa imaturidade espiritual de achar que Deus deve se comportar conforme a gente pensa! Não é a toa que muitos ateus antes de se tornarem descrentes criam em Deus, a história sempre é a mesma: a expectativa de que Deus iria curar alguém que não foi curado, e esperança de que uma determinada situação seria evitada e não foi, toda frustração vem de expectativas não correspondidas, e com Deus não é diferente. A maioria dos incrédulos que um dia já creu e no meio do caminho abandonou a fé em Deus provavelmente o fez por ter a mentalidade simplista e humana de querer tornar Deus uma espécie de “gênio da lâmpada”, um “quebra-galho”, alguém que tem a obrigação de nos satisfazer, nos proteger, cuidar, suprir e alegrar, é uma mentalidade simplista e egoísta, onde Deus nos serve e não o contrário!

É um pensamento parasita de sugar o que nos convém, é uma relação somente de benefícios que não envolve compromisso, paixão e responsabilidades! Definitivamente essa mentalidade equivocada nos leva a perguntar coisas do tipo: se Deus é bom então porque tem crianças morrendo de fome na África? Se Deus existe porque tem tanta maldade no mundo? Porque Deus deixou esta mulher ser estuprada? Porque Ele não livrou esta criança de sofrer? Porque esse avião caiu? E a lista continua com centenas de perguntas que isentam o ser humano de qualquer responsabilidade! É moleza falar do que Deus deveria fazer em diferentes situações, difícil é se perguntar o que nós estamos fazendo?

Basicamente esse tipo de pergunta é uma tentativa inútil de pressionar Deus a fazer o que nos acreditamos que Ele deve fazer. Deus é bom porque nos dá o livre arbítrio, a capacidade de escolher, de semear, mas Deus também é justo e por isso nos deixa colher o que semeamos. Nós temos uma grande dificuldade de entender a nossa responsabilidade ao usar nosso livre arbítrio, não é a toa que provérbios diz que o tolo com sua mão destrói sua própria vida, no entanto culpa a Deus!

Sempre digo que o ser humano é mestre em colocar-se como vítima quando esta em problemas e de colocar-se como autor de sua vida quando tem sucesso! Interessante que apesar da Bíblia nos ensinar que colhemos o que semeamos, ela também nos ensina que parte do que colhemos não é só fruto de nosso esforço, mas da bondade e misericórdia de Deus! Ela nos diz que Ele faz nascer o sol sobre o justo e o injusto, que a chuva caí sobre o bom e o mal, que valemos mais que os pássaros e eles colhem sem terem semeado!

Parte de reconhecer a soberania de Deus é reconhecer sua bondade! Nossa mente simplista e humana nos diz: Justiça é o malvado sofrer e o “bonzinho” não sofrer, creio que parte disso se cumpre nessa vida através da lei da semeadura e colheita, e na eternidade isso será bem mais evidente, no entanto quando olhamos pra Bíblia vemos que os 2 personagens que provavelmente mais sofreram foram justamente aqueles que a Bíblia não economiza elogios: Jó e Jesus. Minha esposa fez um estudo incrível sobre o livro de Jó e a conclusão que chegou é que ao contrário do que pensamos, Jó não é um livro que fala só de sofrimento, mas da soberania de Deus!

Interessante que Jó questiona Deus em vários pontos os quais Deus nem se dá ao trabalho de responder! Abrir mão de entender algumas coisas é parte de se render aos propósitos de Deus, José só entendeu a razão de ter passado o que passou lá na frente, quando já estava vivendo o que Deus tinha planejado, nem todos são privilegiados como Ester de ter alguém para dar a dica de que talvez foi para esse tempo e propósito que Deus te escolheu, muitas vezes o ato de se render é que vai ser a bússola mais precisa, e para encontrá-la precisamos abandonar a ideia de dar o próximo passo somente quando fizer sentido o passo de fé atual.

Toda essa situação da gravidez interrompida me fez pensar em quão extravagante é o amor de Deus, muitos anos atrás um amigo me Disse que você só conhece algumas facetas do amor de Deus quando você é pai, porque você percebe o quanto ama seu filho e então pensar que Deus deu seu próprio filho para nos redimir nos choca, porque é um ato de entrega e misericórdia além de nossa compreensão, pensar que eles sendo um (Jesus e o Pai) e que o próprio Jesus disse que ninguém toma Sua vida, mas que Ele mesmo a dá a favor de nós, é constrangedor, ainda mais pensando que o Pai estava consentindo e planejando esse sacrifício a nosso favor, pensar nisso me faz ver algo muito óbvio mas que nem sempre lembramos, que o amor de Deus realmente excede todo entendimento humano, não tem nada que façamos ou deixemos de fazer que mude o amor de Deus por nós!

Deus abençoe,

O problema dos “CAI: crente com aversão à igreja”

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Era uma 5° feira chuvosa, quase 21hs quando cheguei na frente da casa do Matias (nome fictício), fazia muito tempo que o estava acompanhando, fiz tudo que estava ao meu alcance para ajudá-lo, orei, jejuei, aconselhei, ensinei, dei bíblia, livros, dvds e tive paciência em todo o tempo que andamos juntos. Ele veio de um histórico complicado em diferentes igrejas, e pra piorar foi criado numa família abusiva onde foi muito ferido, por isso era amargurado e desacreditado com família e igreja. Por muito tempo fizemos cura interior, libertação e diversos estudos e aconselhamentos que o ajudassem a superar o passado, perdoar e ter uma visão de igreja e família que fosse alinhada com o que a bíblia ensina, e não a imagem distorcida pelo vulcão emocional de seu passado.

Nessa noite chuvosa eu fui a casa dele com um grande aperto no coração, porque como qualquer pai na fé queremos ver o plano de Deus se cumprir na vida daqueles que cuidamos, e definitivamente Matias estava longe disso, apesar de todo esforço e boa disposição em ajudá-lo, Matias insistia radicalmente em trilhar um caminho muito perigoso, ele era o típico “CAI: crente com aversão à igreja”, e como tal, tinha o hábito de detonar igrejas, pastores e ministérios!

Sua opinião era de que tudo ao seu redor era uma “farsa”, todos eram “hipócritas”, todos eram manipulados pelo “sistema” pelos “fariseus do século 21”, Matias sempre se colocava numa posição de julgar tudo e todos, a critica era praticamente sua sombra. NADA estava bom na igreja, TUDO era errado e uma “piada”, ainda assim ele continuava indo a igreja, óbvio que sem se envolver, sem servir e sem assumir responsabilidades, era um “envolvimento” passivo e egoísta, ir a alguns cultos, ver algumas reuniões e fazer seus comentários sempre carregados de emoção.

Matias tinha os costumes típicos de um “CAI”: dizer como as coisas deveriam ou não ser feitas, criticar, acusar, gostava de polemizar com questionamentos sobre avivamento, dizia que a igreja estava longe do “verdadeiro” avivamento (que supostamente ele vivia em sua vida pessoal, ao menos em seu conceito), adorava criticar a eficiência da igreja em evangelismo, mas ele mesmo nunca ganhava ninguém pra Jesus, e muito menos se dispunha a cuidar de novos convertidos, não assumia responsabilidade nenhuma, questionava o real significado da palavra oração no contexto da igreja atual, pois Matias gostava de estudar hebraico e assumir uma postura de teólogo, no entanto apesar de julgar a vida de oração de todos da igreja e de expor seu vasto conhecimento das palavras bíblicas em hebraico, Matias não orava, não tinha uma vida de oração constante, não tinha constância mesmo em sua vida natural, mas não pensava 2x antes de abrir a boca como juiz das outras igrejas e ministérios além da igreja local a qual teoricamente “servia”.

Matias sempre compartilhava em suas redes sociais piadas de igreja (igualzinho escarnecedores que não tem o menor relacionamento com Deus fazem) e não se importava com isso, afinal, lá no íntimo não se considerava parte dessa “igreja”, então dava vazão a toda sua ira e ironia através de seus posts sempre teologicamente corretos (em seu conceito). Sempre polemizava o “real” significado da palavra bíblica neotestamentaria revolucionária de “igreja” para justificar seu comportamento injustificável.

Ele era vidrado em “batalhas espirituais”, queria lutar pessoalmente com lúcifer para conquistar o mundo pra Jesus, mas nunca se juntava a igreja local quando promoviam alguma vigília, vivia reclamando que a igreja tinha que ir pras ruas, mas nunca se juntava a igreja local quando ela ia pras ruas porque em sua vasta “sabedoria e revelação” a forma que iam pras ruas não era a forma “correta” (forma que somente ele sabia). Matias era fã da música “é proibido pensar” do João Alexandre, e partilhava do mesmo pensamento do autor da música: que Deus o levantou para denunciar as falhas da igreja!

Imagino que Tiago 5:16 na versão “CAI” em vez de “confessai VOSSOS pecados uns AOS outros para serem CURADOS” era algo como: denunciai os pecados ALHEIOS uns DOS outros para serem CONTAMINADOS! 

Quem escutasse o discurso revolucionário do Matias sobre avivamento, dízimo, evangelismo, curas, batalhas espirituais, poderia imaginar que ele era um cristão fervoroso, disciplinado, cheio de compaixão pelas almas e um homem de caráter, afinal jogava tanta pedra na igreja que não havia nenhum pecado em sua vida, correto? Não, na verdade Matias tinha pecados de todas as formas, cores e cheiros com seu estilo “Che Gevara gospel”, desde maledicência e fofoca até amargura e pornografia, e nessa 5° feira chuvosa eu estava profundamente triste porque depois de muito tempo caminhando com Matias tentando ajudá-lo, me dei conta que o Matias gostava de sua conduta pecaminosa, na verdade já era um vício, Matias não tinha relacionamento pessoal com Jesus, nunca tinha dado uma cheirada Nele, por isso ficava entediado no louvor e depois criticava o culto. Como ele nunca tinha dado um chamego em Jesus ele ficava irritadíssimo quando tinha um culto onde Deus se manifestava de uma forma diferente a que ele esperava, ele julgava os que “se jogavam” no chão pra “fingir” ter caído no Espírito, aliás, cair no espirito é uma baita heresia na religião inovadora dos “CAI”, o culto deve ser comportado, ou melhor, Deus deve se comportar de acordo com as regras de culto dos “CAI”.

O mais triste é que o Matias nunca se arrependeu, ainda que confrontado ele insistiu em seguir seu caminho de um típico “CAI”, e o pior é que existe vários “Matias” por aí, indo a igreja, com um discurso lindo e maravilhoso de como a igreja deveria ser, o que deveria fazer, qual o “verdadeiro” significado disso ou daquilo, mas o fato é que muitos “CAI” cultivam pecados de todos os tipos, e ainda que tenham uma conduta detestável que faz Deus vomitar, se colocam na posição de juízes ministeriais de tudo e todos! Quando olhamos um ateu, um incrédulo, um escarnecedor, um camarada que despreza Deus e olhamos um típico “CAI”, não vemos diferença nas atitudes! O comportamento prático está anos luz longe de refletir Jesus, com palavras e ações, a conduta de vida deles é detestável, se dizem amigos de Deus mas são melhores amigos do mundo, fazem justamente o contrário do que a bíblia ensina, eles definitivamente amam as coisas do mundo e se deixam enredar por elas, mas em suas teologias “cai” essas coisas de santidade não são “bem assim” como está na bíblia, tudo é relativo e uma questão de interpretação, lembre-se que eles são especialistas em hebraico!

Muitas vezes me perguntei: Porque o Matias continua indo a igreja? Quero dizer, se realmente ele pensa ser o dono da razão e que a igreja é uma piada, um verdadeiro circo com palhaços, porque ele não deixa de ir então? Então com o tempo me dei conta que tem muita gente indo a igreja com diferentes motivações, muitos se sentem aceitos, se sentem úteis, fazem amigos, são admirados por algum talento, encontram uma razão qualquer que os motiva ir a igreja, ainda que sem amar Jesus e sem se relacionar pessoalmente com Ele e isso é um perigo, é uma bomba relógio!

A situação é triste, eles estão por todos os lados, “crentes” independentes que olham só pra um lado da bíblia, “o reino”! O discurso (que até soa espiritual) é que o importante mesmo é o reino de Deus! Jesus ensinou sobre o reino de Deus, é verdade, sem sombra de dúvidas isso é verdade, mas a mesma bíblia que valoriza o reino e a igreja global de Jesus na terra também ensina a importância da igreja local, tem um equilíbrio! Porque pastores e missionários muitas vezes não se entendem? As vezes parece água e óleo que não se misturam! Porque? Se de um lado tem pastores que tem uma visão limitada as 4 paredes da própria igreja que pastoreiam, do outro lado tem missionários com uma visão igualmente limitada porque olham a necessidade do mundo todo, de toda via láctea, mas não conseguem ver a necessidade entre as 4 paredes! É engraçado, porque o missionário tem a tendência de ficar irritado vendo o pastor gastar dinheiro investindo num ar condicionado pra igreja enquanto tem crianças morrendo de fome na África, e do outro lado o pastor fica incomodado com a incoerência do missionário de querer ganhar o mundo todo pra Jesus, mas não querer frequentar um grupo pequeno da vizinhança pra um estudo bíblico. Qual dos 2 está certo?

Ambos! Cada um tem uma parte da verdade, o pastor geralmente carece da visão do Reino de Deus, e o missionário por sua vez também carece da visão da igreja local, simples assim! Os “CAI” é um caso mais complicado porque carecem de arrependimento e não entendem o que Jesus fez na cruz. Tenho a impressão que um Matias da vida, apesar de saber meia dúzia de versículos de cabeça, até hoje não entendeu o abc do plano da salvação!

Lembro-me de uma piadinha que o Pr Thomás fazia de que é muito fácil amar os irmãos da China, o difícil era amar os irmãos de Curitiba (que era o lugar da igreja local)! Ter a visão do reino sem dúvidas é importante, mas tão fundamental quanto o reino é a visão da igreja local. É mole falar de perdão, submissão, amor e serviço quando você globaliza a coisa, é diluir a responsa que todo crente tem, de uma forma muitas vezes teórica e abstrata, quando falamos de servir numa igreja local, o discurso moralmente revolucionário que todo “CAI” sustenta vai ganhando forma e vai se tornando mais prático e menos teórico, mais ações e menos palavras, por isso muitos “CAI” não gostam da igreja e relutam em se envolver nela, porque todo blá blá blá dito por eles é posto à prova.

Defendo radicalmente o envolvimento com a igreja local. Não digo que é pecado mudar de igreja porque a bíblia não diz isso, é possível sim mudar de igreja, ainda que seja um processo delicadíssimo, mas o problema é que tem muito “CAI” teoricamente ligado a uma igreja local, mas na prática não estão servindo, não são membros ativos (que oram, jejuam, se envolvem e dão espaço para alguém falar em suas vidas). Falar sobre autoridade espiritual é moleza, submeter-se, servir e aprender não é tão fácil assim.

A bíblia diz que se afirmamos amar a Deus que é invisível, mas não amamos ao nosso irmão que podemos ver e tocar, somos hipócritas! Penso que o mesmo princípio se aplica à serviço e submissão, é fácil diluir esses assuntos, difícil mesmo é dar forma ao discurso. Não é a toa que lemos na bíblia “não deixem de congregar”, desde aquela época já tinha a turma “CAI”, eles tentam criar um evangelho tão tendencioso pro “Reino” que criam uma religião onde igreja local é uma peça descartável ou teoricamente válida, sendo que na verdade o Reino e a igreja estão ligados, Jesus morreu pela igreja (pessoas) e a igreja deve espalhar o Reino, simples assim. Desassociar um do outro é como falar do fruto negando a existência da árvore, um dos problemas dos “CAI” é tentar ser soldado sem ser parte de um exército!

Talvez se algum “CAI” lesse esse post ia pensar que nunca vi ou vivi decepções na igreja local pra defendê-la tanto assim, na verdade é o contrário, já vi muita carnalidade na igreja, já vi muita coisa desalinhada com a bíblia, mas apesar disso tudo, aprendi perdoar, aprendi que a igreja erra porque todos lá dentro são seres humanos, e eu sou um deles, Jesus é o juiz da igreja e certamente vai julgá-la, não preciso assumir esse lugar, e também não esqueci que a igreja continua sendo a noiva de Jesus e o melhor lugar pra estar!

Faça a vida valer a pena!

Gostei desse vídeo porque ele rompe com alguns mitos contemporâneos, como a mentira de que o dinheiro deve ser a bússola mais importante para as decisões cruciais da vida.

Todo adolescente ou jovem entra numa etapa (geralmente no vestibular) onde a pressão de decidir o que fazer no futuro se torna angustiante, por várias razões: a começar pela incerteza do que eles mesmos realmente querem, a incerteza do que trará sucesso, a abstração do significado: “ser bem sucedido” e o conceito generalizado e simplista de que ser rico é ser próspero, somado a essa “salada de fruta” ponha a pressão familiar (os pais que a todo custo tentam convencer os filhos a terem a mesma profissão que eles) e a insegurança pessoal, não é uma decisão fácil, mas boa parte dessa carga é aliviada quando entendemos que não é uma decisão permanente, sempre tem um retorno à frente e novas encruzilhadas a cada dia, muitas pessoas voltam a estudar (o que realmente gostam) depois de adultas, às vezes leva tempo para descobrirmos nossa vocação e não há nada de errado nisso!

Quantos pais se desesperam quando escutam os filhos dizendo que querem ser jogador de futebol, músicos, artistas e outras profissões “difíceis”?! E quantos filhos se frustram vivendo a vida que os pais planejam a eles?! São poucos os que de fato acreditam que o dinheiro não é tudo, é quase que uma crença inconsciente de que se o filho deles que sonha em trabalhar no circo (ou outra profissão “errada”) decidir ouvi-los e em vez de se tornar um artista circense for um empresário rico não terá como ser frustrado na vida tendo dinheiro! Isso não é verdade! Poucas coisas frustram tanto uma pessoa ao longo do anos do que gastar seu tempo numa atividade que não lhe dá a menor satisfação, ainda que ela ganhe muito dinheiro com isso, o sentimento constante, crescente e agonizante é de morrer um pouco a cada dia.

Engraçado como sempre que falamos “fulano deu certo na vida” ou “ciclano é bem sucedido” nos referimos a pessoas com muito dinheiro, ninguém fala de um gari bem sucedido ou um palhaço que trabalha no circo como alguém que “deu certo” na vida! Mas a verdade é que tem milionários com uma vida miserável e fracassada, onde todas as riquezas que possuem não livram os filhos das drogas, da prostituição, do medo de ser roubado e sequestrado que os atormenta, da desconfiança e da solidão de pensar que “todos” a sua volta se aproximam com intenções aproveitadoras, é devastador!

Não sou o tipo de cristão legalista que é contra ter dinheiro, é bom ter dinheiro, é muito bom usufruir de uma vida financeira boa, viajar, comer bem e etc… não tem nada de errado em ter dinheiro. Fazer o que amamos e ainda ganhar um salário com isso é maravilhoso, mas o dinheiro não deve ditar nem limitar nosso rumo de vida! O vídeo acima nos pergunta: O que de fato gostaríamos de fazer se não existisse dinheiro? Nossa satisfação de viver “a vida dos sonhos” não pode ser abafada pela “obrigação” social de ter uma profissão financeiramente promissora e vocacionalmente depressiva. Devemos nos perguntar: A vida que vivo HOJE é a vida que sonho e que me faz respirar adrenalina? Ou é a vida que levo porque “tenho” que levar? Outra pergunta além de: “Eu gosto da vida que tenho?” é perguntar a Deus: “Qual vida o Senhor tem preparado pra mim? Qual é a Sua missão de vida pra mim?” Nada mais inteligente do que perguntar ao autor da vida o que Ele planejou! A bíblia nos diz que Deus escreveu todos os nossos dias antes do nosso nascimento, o “roteiro” já esta pronto, não precisamos inventar uma história de vida, mas descobri-la em Deus e vivê-la!

Às vezes nos falta é fé de que Deus quer e vai falar conosco, precisamos crer não só que Ele tem um propósito para nós, mas que tem interesse em nos revelar essa missão de vida! Não temos que supor o que Jesus quer, mas descobrir e seguir na direção que Ele mostrar. Não deixe que o dinheiro seja a voz que guia seus passos, não permita que as circunstâncias te levem a um caminho (Gideão ouviu Deus assim, mas há outros personagens na bíblia que nos inspiram e nos desafiam a ter fé que Deus fala de formas mais claras), e no que Ele falar creia de TODO seu coração, ainda que pareça algo muito doido, não abra mão da convicção que Jesus imprimir dentro de você, sem dúvidas a vida que Ele planejou pra você é a melhor que se pode experimentar.

Decepcionado com Deus…

Lendo a história de Jó e de José percebemos que às vezes Deus permite situações de tristeza, dor e sofrimento não só na vida dos incrédulos mas também na vida de seus filhos! Quantas pessoas você conhece que estão chateadas e amarguradas com Deus, questionando sua bondade e fidelidade? Talvez você já tenha passado por isso ou ainda esteja assim, quem sabe questione: Porque andar com Deus vale a pena se estou sofrendo? Se Deus não faz acepção de pessoas porque o fulano passou por isso sem sofrer tanto como eu? Se a Bíblia é verdadeira porque estou semeando, semeando e não estou colhendo? Se Deus realmente me ama, porque Ele está deixando isso acontecer?
Essa crise com Deus é uma encruzilhada de destino na vida de todos, uma esquina de decisões que podem ser perigosas e definitivas, é um momento onde podemos correr de Deus ou correr para Deus mesmo sem entender a situação! Neste ponto muitos desviam da fé e abrem mão não só das promessas como da salvação que Deus nos dá!
Alguns anos atrás passei por situações bem complicadas que me levaram a esta “encruzilhada de escolhas”, passei pelo que nós crentes chamamos de “deserto” (lugar de dificuldade) em todas as áreas de minha vida e tudo na mesma época! Ao invés de fugir de Deus amargurado, escolhi “lutar com Deus” como Jacó, fui acampar sozinho em uma ilha por 2 semanas e fiz das palavras de Jacó as minhas: Senhor, não te deixarei se não me abençoares! Não levei celular nem nada, fiquei a sós mesmo com Deus, levei um livro que se chama esgotamento espiritual e a minha bíblia, voltei internamente bem diferente e embora um ano recheado de dificuldades estivésse me esperando meu conceito a respeito da bondade e misericórdia de Deus foi ampliado, gostaria de compartilhar algumas coisas que Deus me ensinou neste tempo.

A palavra de Deus nos dá diversos adjetivos que não gostamos muito, mas é fundamental que saibamos quem nós realmente somos, não quem nós achamos ser, mas quem Deus afirma que nós somos de verdade!
“…não pense de si mais do que convém” Rm 12:3 Se temos uma imagem errada de quem somos, conseqüentemente ficamos com uma visão errada de quem Deus é também!

A Bíblia faz um “raio-x” preciso do nosso caráter:

Somos pecadores (Não há um justo, nenhum sequer Rm 3:10)
Somos rebeldes (Só precisamos de um único mandamento para quebrá-lo, só havia uma única árvore proibida entre milhares no Éden, eu e você teríamos insistido em comer justamente a proibída assim como Adão e Eva.)
Somos orgulhosos (Assim como Pedro se julgou superior aos outros “ainda que todos te neguem eu jamais o faria..”e só depois de negar 3 vezes é que viu seu estado real interior e chorando amargamente permitiu Deus mudar seu coração), Deus só muda nosso interior quando permitimos, e só permitimos quando reconhecemos que precisamos de mudanças, e geralmente só reconhecemos isso nas provações.
Somos ingratos (Jesus cura 10 leprosos e somente 1 volta para agradecer) No fundo mesmo achamos pouco a salvação, afirmamos nos momentos de amargura: Minha vida antes de andar com Jesus era melhor… estávamos indo para o inferno para todo o sempre e agora que somos salvos afirmamos que era “melhor”…
Somos injustos (O que é correto? Condenar um inocente ou libertar da prisão um ladrão e assassino? Pois é, frente a pergunta: Cristo ou Barrabás o ser humano achou o contrário, nossa “justiça” é semelhante à trapos de imundíce.
Somos egoístas (Insistimos em achar que a grama do vizinho é mais verde que a nossa ao invés de reconhecer como no Salmo 23 que o Senhor é o nosso Pastor e que é Ele que nos faz repousar em pastos verdejantes.) Ao ver a generosidade de Deus com os outros, ao invés de se alegrar pelos outros acusamos Deus de “injusto”, lemos a bondade dele com as pessoas como “infidelidade” à nós… a parábola dos trabalhadores da vinha mostra isso…

Há mais diversos adjetivos para descrever nosso péssimo caráter, mas creio que pecadores, rebeldes, orgulhosos,ingratos, injustos e egoístas já basta para questionarmos um pouco se estamos em condições de exigir algo de Deus ou de culpá-lo pelo que for.
Os adjetivos de Deus são outros, bem diferentes, tardio em irar-se, fiel, bondoso, longânimo, santo…
A Bíblia nos fala que o próprio Jesus aprendeu a obediência pelas coisas que? Sofreu…
O mais rápido que aprendermos a obedecer e ter o coração tratado por Deus, mais rápido o sofrimento passará, quanto mais tempo levarmos para admitir que nosso interior é podre e sujo, mais tempo a tribulação permanece para nos deixar humildes e quebrantados perante um Deus santo, justo e verdadeiro que deseja nos dar “o melhor desta terra”, mas que para isso, depende de nossa correspondência…

“Se quiserdes, e obedecerdes, comereis o bem desta terra” Is 1:19
“O ímpio destróe sua própria vida com o pecado e depois coloca a culpa em Deus” Pv 19:3