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Sobre as manifestações no Brasil

Como um bom brasileiro que vive na Argentina, uma das primeiras coisas que eu estranhei
morando aqui foi ver a quantidade de protestos que acontecem em BsAs. Não vou dizer que todo dia tem protesto, mas que toda semana rola um com certeza. Ás vezes acontece numa proporção maior e a mídia divulga, mas uma coisa é fato: Os argentinos não são passivos diante da corrupção, já teve presidente (Fernando de la Rúa) que fugiu de helicóptero da casa rosada porque o povo estava fazendo um verdadeiro alvoroço na praça de maio!

Desde que cheguei à Argentina fiquei impressionado em como eles são ligados na política, desde o mais pobre até o mais rico, em várias conversas com porteños comentei que o brasileiro de uma forma geral é muito passivo (agora mordi a língua rsrs), de fato desde o impeachment do Collor não houve nenhuma manifestação significativa em massa, e no decorrer de todos esses anos o circo foi ficando cada vez pior, particularmente penso que a PEC37 (que nada mais era que tentar legalizar a impunidade) é uma das maiores evidências de que o Brasil estava dormindo enquanto o governo fazia “a festa”.

Nesses últimos meses o Brasil acordou, foi pra rua gritar contra a injustiça, contra a impunidade, contra as quadrilhas que estão em Brasília, eu acho isso tudo ótimo! Às vezes aparece um ou outro cristão dizendo que ir pra rua protestar é errado, que devemos nos submeter à autoridade e o melhor que podemos fazer é orar… acredito que a oração é importantíssima assim como o respeito pelas autoridades instituídas por Deus seja em qual âmbito for (familiar, espiritual ou governamental), no entanto a bíblia também mostra o perigo de sermos coniventes com o pecado, fala da importância de sermos luz e sal, e de sermos voz para os oprimidos.

Devemos e podemos usar nossa voz pra orar e clamar pela nação, mas também devemos usar nossa voz pra protestar sim, é um posicionamento contra os absurdos que os governantes do Brasil vêm fazendo, é lamentável ver a mídia vendida noticiando amenidades de ex-BBB enquanto o país está um caos, colocando panos quentes, é triste e revoltante ver um “pronunciamento” evasivo da presidente Dilma,
é uma vergonha ver o descaso dos governantes do Brasil com o povo Brasileiro.

Isso me fez pensar em como é grande o contraste entre a liderança de Jesus e o modelo de autoridade dos governos! Porque a saúde pública no Brasil é um caos? Porque não há investimento em transporte público? Porque a educação é abandonada? Por uma razão muito óbvia e simples: porque os governantes não usam serviço público, ou seja, o foco do trabalho deles é voltado para benefícios próprios e não para o bem daqueles que os elegeram. Particularmente sou 100% a favor dos políticos terem que usar o sistema de saúde público, de ao invés de usar avião das forças armadas para caprichos pessoais terem que pagar e usar o transporte do povão mesmo!

É tão incoerente eles governarem o Brasil e não se submeterem ao resultado do próprio trabalho público! É como um chef de cozinha se gabar dizendo que é o melhor cozinheiro do mundo, mas não gostar de comer a própria comida, é como um motorista afirmar que é competente em sua função, mas não ter coragem de conduzir sua família numa viagem, preferindo então que outro o faça e ficando na passiva posição de passageiro.

O governo apresenta (e manipula) as informações dos supostos “investimentos” que vem sendo feitos no setor público, o qual teoricamente cuidam, mas se escondem na sombra e água fresca das regalias do setor privado, ou seja, governam um Brasil e vivem em outro “Brasil”, desconhecem a verdadeira saga de uma mãe que fica horas (ou dias) na fila de um hospital público pra ver um filho morrer num corredor sujo de um hospital caindo aos pedaços, ou da dura realidade de um pai de família que trabalha em 3 empregos diferentes ralando como um cachorro pra dar o que comer pros filhos, ou do triste fim de vida de idosos que trabalham 10 horas por dia porque a aposentadoria simbólica e escassa que recebem não paga nem os impostos que são obrigados a pagar. É indignante ver o exímio trabalho do governo na hora de averiguar as declarações de imposto de renda, nessa hora eles são profissionais, no momento de administrar a grana geral arrecadada e criar um sistema anticorrupção pra que nenhum político roube, aí intencionalmente nada se faz.

Definitivamente vivem numa bolha de isenção de responsabilidade, autoridades autoritárias que tomam decisões particulares deixando que outros sofram as consequências no coletivo. A corrupção está por todos os lados e em distintos governos e nações, embora a impunidade no Brasil seja em uma dimensão estratosférica, aqui na Argentina isso também acontece, Susana Trimarco, mãe de Marita Verón que o diga, ela teve a infelicidade e o desgosto de ver 3 juízes corruptos absolverem 13 culpados de sequestro para o tráfico sexual infantil de sua filha com bilhões provas concretas e com todas as cores possíveis e imagináveis! E por enquanto ficou nesse absurdo mesmo…

O padrão de liderança e autoridade de Jesus é to-tal-men-te diferente! O culpado não fica por inocente e vice-versa, o trabalho é focado no outro, é pratico e não teórico, é primeiramente exemplar, Ele tem toda moral do mundo pra ensinar cada um a tomar sua cruz, negar a si mesmo e segui-lo porque fez exatamente isso, não falou somente de amor mas provou esse amor!

Não é uma liderança que manda, mas que comanda, ou seja, participa e antes de tudo trilha o mesmo caminho que esta propondo, é um governo coerente, sem manipulação, sem mancha, sem meias verdades e “más interpretações”, é altamente altruísta, visa o bem alheio em vez de o próprio, serve ao invés de ser servido, ajuda em vez de ser ajudado, toma iniciativa! Em vez de impor o respeito, conquista-o com ações práticas, assume mais responsabilidades e menos privilégios, no modelo de liderança de Jesus não há sala ou tratamento “vip”, o que há é serviço e doação em prol dos demais.

Não é possível votar em Jesus pra presidente, senador, governador e etc no âmbito natural, mas tem como ele governar nossa nação começando pela nossa vida e usando ela pra ser voz aos fracos e desprivilegiados! Que Brasil, Argentina e demais nações na terra acordem desse sono espiritual onde a bíblia é vetada, onde o reino de Deus é ignorado, onde Jesus é descartado no coração das pessoas, que Ele possa reinar no coletivo e no pessoal, e que Seu reino possa crescer e se espalhar sobre toda terra!

Metrô nacional from Rodolfo Miró on Vimeo.

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Vocação pastoral

Particularmente o ínicio de 2012 tem sido um ano de muita leitura, muita mesmo e tem me feito um bem enorme! Ainda em janeiro li alguns livros mais antigos e no mesmo mês fui a uma livraria evangélica no centro do Rio de janeiro e comprei mais alguns títulos.
Sem dúvida um dos melhores livros que já li até aqui, não só desse ano mas de todos os livros que já li até hoje é esse: “A vocação espiritual do pastor” – redescobrindo o chamado ministerial do autor Eugene Peterson. Ele faz um paralelo excelente da vida de Jonas com o ministério pastoral, aborda os temas mais crucias da vida cristã com objetividade, fala com simplicidade de assuntos complexos e faz um alerta a todos que estão (ou desejam estar) ativos no ministério, mostra os perigos que a área pastoral e ministerial trazem aos que estão envolvidos nela!
Fala de humildade, motivação, coração, foco, renúncia, respeito e amor, temas indispensáveis na vida da igreja e de um cristão. Sem sombra de dúvidas eu indico essa leitura, o autor não trata o ministério como uma “carreira ministerial com glamour e pompa”, não superdimensiona a “vasta experiência ministerial” adquirida com os anos e felizmente não tem a visão equivocada de que quando alguém se torna um pastor está sendo “promovido”, particularmente penso que essa palavra “promoção” além de não aparecer na bíblia (nem em palavra nem no contexto) não deveria ser relacionada sob hipótese nenhuma com alguém que foi chamado por Deus para servir aos demais e andar em humildade! Deus promove a Sua mensagem e não o mensageiro.
Biblicamente é mais coerente relacionar a vida pastoral com uma vida de renúncias e não de promoção. Jesus é o supremo pastor, e a simplicidade, abnegação e preocupação genuína com as ovelhas na qual exerceu seu pastorado tem sido amplamente negligenciado na rotina da igreja contemporânea.
Gostei da essência do livro e do foco que ele trás, tem livros que vale a pena reler no decorrer dos anos, e reler mais de uma vez, esse definitivamente é um deles!