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Do unigênito ao primogênito

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Recebi uma ligação da minha esposa dizendo que já tinha chegado ao meu trabalho e estava na recepção me esperando, desci para encontrá-la animado com a possibilidade de ela estar grávida. Já estávamos com quase 8 anos de casado e com tantas mudanças que tivemos em nossa vida nos últimos anos o desejo de ter filhos foi sendo adiado. Finalmente entramos numa fase constante em que decidimos tentar engravidar, depois de atrasar a menstruação, a Ana já tinha feito 2 testes de farmácia e ambos tinham dado positivos, ainda que com a intensidade da linha muito fraca, então decidimos fazer o exame de sangue pra tirar a dúvida e poder comemorar com certeza a tão esperada notícia!

Quando eu desci pra encontrar a Ana na recepção do meu trabalho eu não tinha ideia de que ela já tinha visto o resultado pela Internet já que o resultado só iria ficar pronto no dia seguinte.
Quando passei pela porta e me despedi do porteiro ela veio toda emocionada e com um sorriso no rosto dizendo: Amor! Você vai ser papai! Sempre achei que essa noticia ia me emocionar, mas não sabia que seria tão forte, tive vontade de gargalhar e chorar ao mesmo tempo, perguntei umas 600 vezes se ela tinha certeza e com um sorriso bobo perguntava freneticamente os números, queria entender o que os valores do exame significavam, fiquei tão eufórico com a notícia que depois de uns minutos fui tentar sacar dinheiro de um caixa eletrônico e não conseguia fazer esta simples ação do dia a dia, minha cabeça estava em outro lugar,  eu “estava” era levando meu filho surfar, ensinando ele(a) tocar piano, contando histórias da bíblia, cozinhando, sei lá, a última coisa que eu estava concentrado era em como sacar dinheiro do caixa eletrônico.

Esse dia foi inesquecível, aí entramos naquela fase boa de contar pra família e pros amigos, ficar pensando em nomes, pra ele, ela ou eles!
Foram dias sensacionais, fiquei meio abobado e contei pra todo mundo que seria pai!
Confesso que sempre tive certo receio de engravidar, além do frio na barriga que naturalmente a noticia trás consigo, sempre ouvi milhões de histórias de pastores que engravidaram e das duas uma, ou tiveram várias complicações na gravidez e no parto, ou perderam o filho, e eu faço das palavras de Jó as minhas: o mal que eu temia me sobreveio.

Estava tudo caminhando maravilhosamente bem até que num sábado à tarde a Ana teve um sangramento, então decidimos ir ao hospital e depois de alguns exames tivemos que aguardar os resultados por uns dias, e então foi confirmado que perdemos o bebê e que a gravidez tinha sido interrompida, ficamos arrasados! Logo em seguida íamos a uma consulta, além de ter perdido o bebê, agora também tinha a preocupação com a saúde da Ana!

Para resumir a história, no fim das contas não foi preciso fazer curetagem (e como ficamos aliviados com isso!) a saúde física não foi afetada, não teve mais nenhuma complicação e também não teve nenhuma contraindicação de continuarmos tentando engravidar! Cremos que isso não é o fim da história e que ainda vamos ter a alegria de ter uma grande família com muitos filhos!

Impressionante a capacidade de amar um filho! Quer dizer, nem sabia o sexo, nem chegou a aparecer na ecografia, nunca chegou a nascer e nem tivemos a oportunidade de conversar, mas apesar disso eu já estava apaixonado por ele(a)! Nunca  imaginei que perder um filho antes dele nascer (ainda mais bem no início da gravidez) fosse gerar tanta emoção, óbvio que não seria fácil, mas pensei que pelo fato de ainda não ter nem nascido não seria tão difícil, pois não teria tempo de me apegar muito, definitivamente eu estava errado!

Ficou um aprendizado com isso tudo, que apesar das adversidades, Deus continua sendo bom e sua misericórdia dura para sempre! Nesse processo todo, muitas vezes me perguntei o porquê disso! Porque Deus que é o autor da vida deixou essa gestão começar e depois deixou ela ser interrompida? Aí tentava me consolar pensando que talvez  Ele nos deu um grande livramento de lá na frente ter um problema maior na gravidez, mas então também pensava que nesse caso seria mais fácil nem ter começado a gravidez, enfim…

No fim das contas abri mão de matutar a razão disso tudo e entendi que Deus é bom e sua misericórdia dura para sempre mesmo quando a situação parece nos tentar a crer no oposto, é aí que reconhecer a soberania de Deus deve entrar em ação, tem milhões de coisas tenebrosamente ruins que acontecem a cristãos, que acontecem com aqueles que amam Jesus, muitas vezes criamos uma ideia muito ingênua de que por andar com Deus somos imunes a problemas mais sérios, quando na verdade Jesus disse que nesse mundo teríamos aflições!

As maiores frustrações que temos com Deus são justamente resultado da nossa imaturidade espiritual de achar que Deus deve se comportar conforme a gente pensa! Não é a toa que muitos ateus antes de se tornarem descrentes criam em Deus, a história sempre é a mesma: a expectativa de que Deus iria curar alguém que não foi curado, e esperança de que uma determinada situação seria evitada e não foi, toda frustração vem de expectativas não correspondidas, e com Deus não é diferente. A maioria dos incrédulos que um dia já creu e no meio do caminho abandonou a fé em Deus provavelmente o fez por ter a mentalidade simplista e humana de querer tornar Deus uma espécie de “gênio da lâmpada”, um “quebra-galho”, alguém que tem a obrigação de nos satisfazer, nos proteger, cuidar, suprir e alegrar, é uma mentalidade simplista e egoísta, onde Deus nos serve e não o contrário!

É um pensamento parasita de sugar o que nos convém, é uma relação somente de benefícios que não envolve compromisso, paixão e responsabilidades! Definitivamente essa mentalidade equivocada nos leva a perguntar coisas do tipo: se Deus é bom então porque tem crianças morrendo de fome na África? Se Deus existe porque tem tanta maldade no mundo? Porque Deus deixou esta mulher ser estuprada? Porque Ele não livrou esta criança de sofrer? Porque esse avião caiu? E a lista continua com centenas de perguntas que isentam o ser humano de qualquer responsabilidade! É moleza falar do que Deus deveria fazer em diferentes situações, difícil é se perguntar o que nós estamos fazendo?

Basicamente esse tipo de pergunta é uma tentativa inútil de pressionar Deus a fazer o que nos acreditamos que Ele deve fazer. Deus é bom porque nos dá o livre arbítrio, a capacidade de escolher, de semear, mas Deus também é justo e por isso nos deixa colher o que semeamos. Nós temos uma grande dificuldade de entender a nossa responsabilidade ao usar nosso livre arbítrio, não é a toa que provérbios diz que o tolo com sua mão destrói sua própria vida, no entanto culpa a Deus!

Sempre digo que o ser humano é mestre em colocar-se como vítima quando esta em problemas e de colocar-se como autor de sua vida quando tem sucesso! Interessante que apesar da Bíblia nos ensinar que colhemos o que semeamos, ela também nos ensina que parte do que colhemos não é só fruto de nosso esforço, mas da bondade e misericórdia de Deus! Ela nos diz que Ele faz nascer o sol sobre o justo e o injusto, que a chuva caí sobre o bom e o mal, que valemos mais que os pássaros e eles colhem sem terem semeado!

Parte de reconhecer a soberania de Deus é reconhecer sua bondade! Nossa mente simplista e humana nos diz: Justiça é o malvado sofrer e o “bonzinho” não sofrer, creio que parte disso se cumpre nessa vida através da lei da semeadura e colheita, e na eternidade isso será bem mais evidente, no entanto quando olhamos pra Bíblia vemos que os 2 personagens que provavelmente mais sofreram foram justamente aqueles que a Bíblia não economiza elogios: Jó e Jesus. Minha esposa fez um estudo incrível sobre o livro de Jó e a conclusão que chegou é que ao contrário do que pensamos, Jó não é um livro que fala só de sofrimento, mas da soberania de Deus!

Interessante que Jó questiona Deus em vários pontos os quais Deus nem se dá ao trabalho de responder! Abrir mão de entender algumas coisas é parte de se render aos propósitos de Deus, José só entendeu a razão de ter passado o que passou lá na frente, quando já estava vivendo o que Deus tinha planejado, nem todos são privilegiados como Ester de ter alguém para dar a dica de que talvez foi para esse tempo e propósito que Deus te escolheu, muitas vezes o ato de se render é que vai ser a bússola mais precisa, e para encontrá-la precisamos abandonar a ideia de dar o próximo passo somente quando fizer sentido o passo de fé atual.

Toda essa situação da gravidez interrompida me fez pensar em quão extravagante é o amor de Deus, muitos anos atrás um amigo me Disse que você só conhece algumas facetas do amor de Deus quando você é pai, porque você percebe o quanto ama seu filho e então pensar que Deus deu seu próprio filho para nos redimir nos choca, porque é um ato de entrega e misericórdia além de nossa compreensão, pensar que eles sendo um (Jesus e o Pai) e que o próprio Jesus disse que ninguém toma Sua vida, mas que Ele mesmo a dá a favor de nós, é constrangedor, ainda mais pensando que o Pai estava consentindo e planejando esse sacrifício a nosso favor, pensar nisso me faz ver algo muito óbvio mas que nem sempre lembramos, que o amor de Deus realmente excede todo entendimento humano, não tem nada que façamos ou deixemos de fazer que mude o amor de Deus por nós!

Deus abençoe,

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Decepcionado com Deus…

Lendo a história de Jó e de José percebemos que às vezes Deus permite situações de tristeza, dor e sofrimento não só na vida dos incrédulos mas também na vida de seus filhos! Quantas pessoas você conhece que estão chateadas e amarguradas com Deus, questionando sua bondade e fidelidade? Talvez você já tenha passado por isso ou ainda esteja assim, quem sabe questione: Porque andar com Deus vale a pena se estou sofrendo? Se Deus não faz acepção de pessoas porque o fulano passou por isso sem sofrer tanto como eu? Se a Bíblia é verdadeira porque estou semeando, semeando e não estou colhendo? Se Deus realmente me ama, porque Ele está deixando isso acontecer?
Essa crise com Deus é uma encruzilhada de destino na vida de todos, uma esquina de decisões que podem ser perigosas e definitivas, é um momento onde podemos correr de Deus ou correr para Deus mesmo sem entender a situação! Neste ponto muitos desviam da fé e abrem mão não só das promessas como da salvação que Deus nos dá!
Alguns anos atrás passei por situações bem complicadas que me levaram a esta “encruzilhada de escolhas”, passei pelo que nós crentes chamamos de “deserto” (lugar de dificuldade) em todas as áreas de minha vida e tudo na mesma época! Ao invés de fugir de Deus amargurado, escolhi “lutar com Deus” como Jacó, fui acampar sozinho em uma ilha por 2 semanas e fiz das palavras de Jacó as minhas: Senhor, não te deixarei se não me abençoares! Não levei celular nem nada, fiquei a sós mesmo com Deus, levei um livro que se chama esgotamento espiritual e a minha bíblia, voltei internamente bem diferente e embora um ano recheado de dificuldades estivésse me esperando meu conceito a respeito da bondade e misericórdia de Deus foi ampliado, gostaria de compartilhar algumas coisas que Deus me ensinou neste tempo.

A palavra de Deus nos dá diversos adjetivos que não gostamos muito, mas é fundamental que saibamos quem nós realmente somos, não quem nós achamos ser, mas quem Deus afirma que nós somos de verdade!
“…não pense de si mais do que convém” Rm 12:3 Se temos uma imagem errada de quem somos, conseqüentemente ficamos com uma visão errada de quem Deus é também!

A Bíblia faz um “raio-x” preciso do nosso caráter:

Somos pecadores (Não há um justo, nenhum sequer Rm 3:10)
Somos rebeldes (Só precisamos de um único mandamento para quebrá-lo, só havia uma única árvore proibida entre milhares no Éden, eu e você teríamos insistido em comer justamente a proibída assim como Adão e Eva.)
Somos orgulhosos (Assim como Pedro se julgou superior aos outros “ainda que todos te neguem eu jamais o faria..”e só depois de negar 3 vezes é que viu seu estado real interior e chorando amargamente permitiu Deus mudar seu coração), Deus só muda nosso interior quando permitimos, e só permitimos quando reconhecemos que precisamos de mudanças, e geralmente só reconhecemos isso nas provações.
Somos ingratos (Jesus cura 10 leprosos e somente 1 volta para agradecer) No fundo mesmo achamos pouco a salvação, afirmamos nos momentos de amargura: Minha vida antes de andar com Jesus era melhor… estávamos indo para o inferno para todo o sempre e agora que somos salvos afirmamos que era “melhor”…
Somos injustos (O que é correto? Condenar um inocente ou libertar da prisão um ladrão e assassino? Pois é, frente a pergunta: Cristo ou Barrabás o ser humano achou o contrário, nossa “justiça” é semelhante à trapos de imundíce.
Somos egoístas (Insistimos em achar que a grama do vizinho é mais verde que a nossa ao invés de reconhecer como no Salmo 23 que o Senhor é o nosso Pastor e que é Ele que nos faz repousar em pastos verdejantes.) Ao ver a generosidade de Deus com os outros, ao invés de se alegrar pelos outros acusamos Deus de “injusto”, lemos a bondade dele com as pessoas como “infidelidade” à nós… a parábola dos trabalhadores da vinha mostra isso…

Há mais diversos adjetivos para descrever nosso péssimo caráter, mas creio que pecadores, rebeldes, orgulhosos,ingratos, injustos e egoístas já basta para questionarmos um pouco se estamos em condições de exigir algo de Deus ou de culpá-lo pelo que for.
Os adjetivos de Deus são outros, bem diferentes, tardio em irar-se, fiel, bondoso, longânimo, santo…
A Bíblia nos fala que o próprio Jesus aprendeu a obediência pelas coisas que? Sofreu…
O mais rápido que aprendermos a obedecer e ter o coração tratado por Deus, mais rápido o sofrimento passará, quanto mais tempo levarmos para admitir que nosso interior é podre e sujo, mais tempo a tribulação permanece para nos deixar humildes e quebrantados perante um Deus santo, justo e verdadeiro que deseja nos dar “o melhor desta terra”, mas que para isso, depende de nossa correspondência…

“Se quiserdes, e obedecerdes, comereis o bem desta terra” Is 1:19
“O ímpio destróe sua própria vida com o pecado e depois coloca a culpa em Deus” Pv 19:3